Segue artigo de Rodrigo Levino no Novo Jornal deste sábado. “Para se acostumar”…
Pode não ser com o meu voto, com o seu muito menos, mas aprendamos a lidar com um fato: em não ocorrendo algum cataclismo político, a ministra Dilma Roussef sairá das urnas em outubro próximo eleita presidente da república.
E a lógica das pesquisas anunciadas na praça. Não há no sobrescrito nenhum espírito de pitonisa, afinal, os dados são públicos assim como o modo muito afeito ao das baratas tontas em que se enfiou a oposição ao governo e à sua candidata.
Falando em cego perdido em tiroteio, é de se destacar duas frases publicadas nos jornais nos últimos dias, uma do jornalista Alon Feuerwerker, do Correio Braziliense, outra de Elio Gaspari, na sua coluna da Folha de S. Paulo. Diz o primeiro: ‘Grave não é ir mal nas pesquisas. O pior é não ter idéia de como conter o avanço do governismo’. Gaspari, por sua vez: ‘Detestar o Nosso Guia (Lula) pode ser um desabafo, mas não é solução’.
As assertivas contribuem para uma impressão recorrente desde 2006, quando o presidente Lula milagrosamente emergiu das urnas reeleito após o escândalo do mensalão: ninguém trabalhou mais e melhor para o governo do que a própria oposição.
Desconte-se a lerdeza e a guerra interna em que se meteram o PSDB, com Serra em vias de desistir, Aécio fora dessa barca furada e o DEM, bem, o DEM pode acompanhar uma legenda embaixo da foto ‘favor, rever vídeos de Arruda em Brasília’, os jornalistas acima citados foram na jugular: o que PSDB e DEM foram capazes de apresentar como contraponto ao governo Lula e ao próprio presidente? Digo, projeto de país, em que melhorariam os programas sociais, de que maneira se apresentaram ao país como opção se não de mudança, de avanço? Fazer biquinho não vale.
Ganha uma viagem a Salvador com direito a comer acarajé com o deputado ACM Neto quem apresentar umas dez propostas. Aliás, o mesmo deputado que tempos atrás chamou o presidente, com 70% de aprovação, para a porrada. Junto, não esqueçamos, com Arthur Virgílio, senador do PSDB, que prometeu resolver no bofete a denúncia – nunca confirmada – de que estaria sendo grampeado com conhecimento do governo.
Como se vê, uns meninos muito bons de briga, valentes, mas inteligentes, propositores e sensatos – vide histeria do DEM – que é bom, necas de pitibiriba.
O caso do DEM é ainda mais angustiante, para seus acólitos, claro. No plano federal, foi como um self service meia boca que pintou a fachada, abriu um letreiro (não é a primeira vez, já foi Arena, PDS e PFL), distribuiu panfletos anunciando uma reinauguração e dentro… Bem, dentro a mesma comida requentada de sempre, a formação carcomida pelo senhorio de coronéis que se embrenhou na morte política na reta final do governo Fernando Henrique Cardoso e sofreu a primeira grande baixa com a morte de Antonio Carlos Magalhães, o babalorixá baiano. Tentou emplacar um jogo contra a alta carga tributária, vencendo o governo na votação da CPMF, esperneou para cá no mensalão, fez que ia agir no caso da Petrobras, mas findou num fato incontestável: não sabe agir com a boca fora da teta do governo.
O PSDB, por sua vez, cometeu o grave erro de em algum momento da história não se aproximar do PT, de quem é irmão siamês, em programa e ideário, e com a vantagem de não precisar conter a sanha dos radicais que ainda assola o Partido dos Trabalhadores. Aliou-se ao conservadorismo, não renovou quadros e este ano entra em campo perdendo de dois a zero com as chuvas que deixaram São Paulo às baratas. Quer dizer, também aos ratos, que invadiram a periferia da maior cidade do país e algumas outras do estado, nos lugares onde a água já baixou, agora livres para infectar os eleitores/contribuintes com leptospirose, enquanto José Serra se acovarda da disputa tendo que se haver com o paspalho que é Gilberto Kassab, uma espécie de Celso Pitta sem Paulo Maluf.
Ou seja, não conseguiram cuidar de um micropaís que é São Paulo, o que dirá da vasta terra devota de Lula. Como se esgoelava o Galvão Bueno nas defesas do goleiro Taffarel, na Copa de 94, em se mantendo a realidade atual, ‘Vai que é tua, Dilma!’