De Alexis Peixoto para o Novo Jornal
NOS ÚLTIMOS DOIS anos, a blogosfera potiguar tem sido assombrada por uma entidade apócrifa, mas que todos conhecem muito bem. Parada obrigatória para quem observa os movimentos políticos do estado a partir da internet, o blog Xeleleuzinho se destaca de outras páginas políticas pelo tom irô- nico com que “cobre” o panorama partidário local.
Envolto em polêmicas, ações judiciais e especulações sobre sua real identidade, o blog já atingiu mais de 3 milhões de acessos e é um dos mais buscados e populares do estado.
Apesar de bem visitado, o site é hoje sinônimo de desconfiança entre os profissionais do meio jornalístico, principalmente porque o humor do início aos poucos foi dando lugar a um patrulhamento político. As opiniões sobre o Xeleleuzinho divergem, mas todas encontram um ponto em comum: o tom humorístico que marcou o início das atividades do blog foi recentemente deixado de lado
para investir em ataques de caráter pessoal.
Se no início as postagens faziam graça com as movimentações e alianças partidárias do cenário, hoje o blogueiro já não vê problema em comentar detalhes das relações conjugais e familiares de políticos e jornalistas. Nem o tratamento contra o câncer, ao qual se submeteu o governador Iberê Ferreira no início do ano, deixou de ser motivo de piada no Xeleleuzinho.
Recentemente, uma série de postagens ofensivas do Xeleléu direcionadas à jornalista e blogueira Eliana Lima provocou controvérsia na internet. A jornalista chegou a considerar a possibilidade de acionar a Justiça, mas confessa que desistiu para não atrair mais repercussão ao caso. “No início me incomodava, mas hoje não mais. Afinal não se pode dar crédito ou repercussão a um blog apócrifo”, aponta. “Acho um absurdo que um blog anônimo agrida a quem quiser e ainda ganhe repercussão. Só no RN mesmo”.
Por outro lado, um dos mais ferrenhos críticos do Xeleléu, o jornalista e publicitário Alex Medeiros não vê problema no fato do blog ser apócrifo, embora condene a postura do autor. “Muitos jornalistas bons fizeram uso do apócrifo na época da ditadura para fazer humor de qualidade. Mas quando se está em uma democracia e alguém utiliza a internet para fazer ataques pessoais e ferir a honra dos outros passa a ser puro mau gosto, além de ser crime”, aponta Medeiros, que foi citado, mais de uma vez, por outros personagens ouvidos nessa reportagem como inspirador e até mesmo autor do blog. Mas ele nega.
O jornalista e ex-secretário de Comunicação do Estado Rubens Lemos Filho concorda com Alex. “Havia um pouco de humor no começo, mas a partir do momento em que o blog passa a falar da mulher separada ou da vida do filho do político tal, se confi gura um ataque pessoal. E o fato dele fazer isso de forma anônima só torna a coisa mais condenável”, opina.